Plantas Medicinais

Informações importantes sobre Amanita Muscaria

O inverno está chegando e com ele o período de coleta do cogumelo mais famoso do mundo. O Amanita muscaria tornou-se um ícone não só da cultura psicodélica, mas de todo o universo fúngico, tendo sido incorporado ao imaginário popular como o próprio arquétipo do cogumelo. É comum encontrar representações dele em livros de histórias infantis, panos de prato, enfeites natalinos e literatura exotérica.

Devido à sua enorme popularidade e ao entusiasmo observado entre a comunidade psicodélica, resolvemos reunir aqui algumas informações relevantes que você deve ter em mãos para não passar nenhum aperto e se preparar o melhor possível caso esteja planejando ter uma experiência alucinógena com Amanita muscária.

Neste texto você encontrará 1) uma apresentação geral do gênero Amanita e uma lista de suas principais espécies alucinógenas, comestíveis e venenosas; 2) informações referentes à composição química das substâncias presentes no cogumelo bem como uma descrição neurofarmacológica do modo de ação desses princípios ativos no seu organismo; 3) formas de preparo para o consumo do cogumelo de forma segura e eficaz; 4) possíveis reações adversas que podem ocorrer durante o período de ação das substâncias, cuidados que você pode tomar para evitá-las e o que fazer caso ocorram 5) indicações de leitura para ampliar o conhecimento apresentado aqui 6) alguns artigos, livros e pesquisas relacionados ao assunto com os quais você poderá se aprofundar e conhecer melhor o fungo, suas substâncias e formas de ação.

Lembramos que este texto não tem (e nem poderia ter) a ambição de esgotar todas as informações sobre o assunto, mas sim fornecer informações seguras e úteis para os que planejam se aventurar por este caminho imprevisível e encantador, apontando os riscos e buscando oferecer caminhos responsáveis e, na medida do possível, seguros para a sua viagem.

Boa leitura!

P.S.: grande parte das obras citadas está disponível online. Algumas delas foram reunidas e organizadas para facilitar o acesso e podem ser encontradas na pasta disponível por este link: https://drive.google.com/open?id=0B0CVPMPlHDwYUk1uSlVURlhEZm8

APRESENTAÇÃO

O gênero Amanita: todos os fungos pertencentes à família Amanitaceae vivem em relação micorrízica com espécies variadas de coníferas, daí a sua proliferação em bosques de pinheiros e similares. Uma relação micorrízica é uma relação simbiótica de tipo mutualista em que a hifa do fungo auxilia na absorção de água e sais minerais pelas raízes, aumentando a rizosfera da planta. Em troca, os fungos, que não realizam fotossíntese, absorvem das raízes os carboidratos necessários para sua sobrevivência. O tipo específico de micorriza que caracteriza as amanitáceas é a ectomicorriza, que consiste num invólucro em torno da raiz que, além de aumentar enormemente a superfície de absorção, protege as células de condições adversas como a seca ou o frio intenso (MOREIRA & SIQUEIRA, 2006: 642). O gênero é proveniente do Hemisfério Norte, mas hoje em dia pode ser encontrado em diversos países do mundo em ambos os hemisférios, inclusive no Brasil. Até o momento foram registradas cerca de 500 espécies diferentes de Amanita. Para uma descrição morfológica exaustiva, ver WARTCHOW, 2012.

Comestíveis:

Amanita ovoides

Amanita cesarea

Amanita valens

Amanita giberti

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Amanita mappa

Alucinógenos:

Amanita muscaria (variações: Amanita formosa e Amanita alba)

Amanita pantherina – (venenoso)

Amanita strobiliformis

Amanita cothurnata

Amanita gemmata

Venenosos:

Amanita phalloides*

Amanita virosa

Amanita verna

Amanita pantherina

* A quase totalidade (90-95%) das mortes por micetismo registradas na Europa e nos Estados Unidos estão relacionadas ao consumo equívoco/acidental do Amanita phalloides, conhecido nos países de língua inglesa como death cup (taça da morte). Isso ocorre pela facilidade com que o Amanita phalloides pode ser confundido com espécies comestíveis bastante procuradas nestes países como o Amanita mappa, o Amanita citrina, o Agaricus campestris e o Russula virescens. No Brasil a ocorrência do Amanita phalloides até hoje ainda não foi registrada, de modo que não há até o momento mortes relacionadas à ingestão do cogumelo. Um dos fatores que mais dificultam o socorro é que os feitos apenas começam a ser observados quando as toxinas já foram completamente absorvidas pelo organismo, tornando praticamente impossível qualquer tratamento já que mesmo a hemodiálise é de serventia limitada nestes casos. As 9 substâncias responsáveis pelo envenenamento são conhecidas como amatoxinas, que perfuram a membrana plasmática das células do fígado e do coração, inutilizando e destruindo os órgãos. Uma dessas toxinas, a β-amanitina inibe a polimerase do RNA, impedindo divisão celular de modo que os órgãos fiquem incapazes de reparar o dano causado pelas demais substâncias.

Amanitas no Brasil: o primeiro registro do gênero Amanita no Brasil data do ano de 1906, no Rio Grande do Sul (WARTCHOW, 2012: 23). Trata-se de uma descrição da espécie Amanita spissa, produzida padre J. Rick (RICK, 1906) que nos anos seguintes chegou a registrar outras duas espécies. O Amanita muscaria foi registrado pela primeira vez num trabalho de 1965, também no Rio Grande do Sul (HOMRICH, 1965). Hoje ele pode ser encontrado nas estações mais frias do ano em toda a região Sul e Sudeste do Brasil, principalmente (mas não só) em áreas de reflorestamento com Pinus pseudostrobus. Outras espécies de Amanita ocorrem em praticamente todos os estados, inclusive no Nordeste. Até o momento foram descritas 15 espécies de Amanita no Brasil, a maioria na região Amazônica (WARTCHOW, 2012: 23).

IMPORTANTE: lembre-se que o Amanita muscaria não é uma espécie endógena brasileira e que, assim como ela foi importada acidentalmente, outras também podem ser. Assim, ainda que outras espécies de Amanita sejam raras ou incomuns, há sempre o risco de que outras espécies já tenham começado a proliferar na sua região. Por isso, procure aprender tanto quanto possível sobre as características específicas que diferenciam o cogumelo que estiver procurando, seja Amanita ou de qualquer outro tipo. A pesquisa realizada por Felipe Wartchow e defendida como tese de doutorado em 2012 apresenta uma vasta revisão bibliográfica e descrições morfológicas exatas destas espécies bem como as áreas de maior proliferação. Esta pesquisa está disponível na pasta mencionada no início do texto.

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NEUROFARMACOLOGIA

Com exceção da muscarina, todos os princípios ativos presentes em qualquer espécie alucinógena pertencente ao gênero Amanita (ácido ibotênico, muscimol e muscazona) são isoxasóis neurotóxicos, agonistas dos aminoácidos excitatórios. “Agonista” é um termo usado em bioquímica para designar uma substância equivalente a outra produzida de forma endógena (pelo próprio organismo). Um agonista de aminoácidos excitatórios compete com os mesmos e age em seus neuroreceptores, ativando-os. No caso dos princípios ativos presentes no Amanita muscaria, estes agonistas agem nos receptores do ácido glutâmico (GABA), ativando-os em substituição aos aminoácidos originalmente produzidos para esta função. O ácido glutâmico é o principal neurotransmissor do Sistema Nervoso Central em mamíferos. Diferentemente de drogas como êcstase, cocaína, LSD, anfetaminas ou mesmo a psilocibina, o principio ativo presente nos Amanitas não age nos receptores serotoninérgicos. Consequentemente o seu consumo não está ligado ao desenvolvimento dos distúrbios na recaptação de serotonina normalmente observados em decorrência do uso prolongado das drogas citadas.

Muscarina: por quase um século acreditou-se que a muscarina (C9H20NO2)+, descoberta e isolada em 1863, fosse o princípio ativo responsável pelos efeitos observados com a ingestão do A. muscaria (OTT, 1996: 326). A muscarina, no entanto, além de provocar efeitos (aumento da salivação, lacrimação, contração da pupila, além de não ser alucinógeno) bastante diversos aos sintomas clássicos da ingestão do muscimol (princípio ativo de fato)(EUGSTER, 1959), está presente nas espécies de pertencentes ao gênero Amanita apenas de forma residual, em torno de 0,0003% (considerando o peso do cogumelo fresco), a ponto de estas já nem serem mais consideradas fontes viáveis para a extração da substância. A quantidade de muscarina presente em amanitas é incapaz de provocar qualquer efeito observável (EUGSTER, 1956).

Ácido ibotênico: é uma neurotoxina de origem fúngica (micotoxina) que, apesar de provocar efeitos alucinatórios, tem uma ação altamente tóxica, provocando lesões cerebrais através da destruição excitotóxica de neurônios (OLPE & KOELLA, 1978: 235). Quando ingerido, uma parte dele é metabolizada pelos rins, transformando-se em muscimol, que também é alucinógeno. O problema é que grande parte do ácido conserva-se intacta na corrente sanguínea e é capaz de penetrar a barreira hematoencefálica (estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o Sistema Nervoso Central de substâncias potencialmente neurotóxicas), provocando as lesões cerebrais já mencionadas (MICHELOT & MENDELEZ-HOWEL, 2003: 139). A dose efetiva do ácido ibotênico para seres humanos adultos é de 50-100mg (CHILTON, 1975: 17).

Muscimol: chamado no passado de agarina ou pantherina, o muscimol (C4H6N2O2) é o principio ativo mais importante presente em todas as espécies alucinógenas de Amanita (ver tópico 1.1.2.) e o responsável pelas propriedades enteogênicas pelas quais o cogumelo é famoso no mundo todo. Muito menos tóxica do que o ácido ibotênico e muito mais potente em seus efeitos alucinógenos. Estima-se que a potência alucinógena do muscimol seja algo em torno de 5x a do ácido ibotênico. A dose efetiva para seres humanos adultos é de 10-15mg (THEOBALD, 1968: 113).

Muscazona: quando os cogumelos permanecem expostos à luz solar, os raios UV agem sobre o ácido ibotênico, transformando-os em um isômero lactâmico do muscimol: a muscazona (C5H6N2O4). Suspeita-se que a muscazona também tenha propriedades psicotrópicas similares às do ácido ibotênico e do muscimol, mas o teste com a substância isolada nunca foi realizado (FESTI & BIANCHI, 1993: 223), de modo que pouco se sabe sobre a substância para além da sua simples farmacocinética.

PREPARO

Não é necessário remover a estipe (caule). Embora a maior concentração de princípios ativos esteja no píleo (chapeu), a estipe também é rica em substâncias psicoativas e descartá-la é puro desperdício. Os “carocinhos” brancos espalhados pelo chapéu não são tóxicos, mas também não são psicoativos. Também não é necessário remover a pele vermelha que cobre o chapéu. Aliás, nela está concentrada a maior parte das substâncias ativas presentes no cogumelo. Dê preferência aos cogumelos já abertos e evite colher os que ainda estão fechados para que o cogumelo tenha tempo de produzir e dispersar os esporos. Assim você ajuda a manter o ciclo reprodutivo do fungo e garante que a região em que você colheu continue produzindo nos próximos anos.

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Descarboxilação: é o processo que se caracteriza pela remoção do grupo COO (carboxilo) de um determinado composto (qualquer ácido carboxílico), liberando moléculas de dióxido de carbono (CO2). Ele pode ocorrer pela ação de enzimas descarboxiláses ou pela exposição do composto ao calor sendo um processo de importância central para a respiração celular nas plantas e pela decomposição de materiais orgânicos, por exemplo. Entre a comunidade cannabica este processo é um velho conhecido, principalmente quando se trata de extrair o THC para produção do óleo psicoativo. Isso porque é através do aquecimento e da desidratação que se transforma o THCA (não psicoativo) em THC (psicoativo). Com o Amanita não é diferente: é preciso transformar o ácido ibotênico (C5H6N2O4) que, como vimos acima, é uma neurotoxina que pode provocar lesões cerebrais, em muscimol (C4H6N2O2), que é a substância na qual estamos interessados. Repare que no primeiro temos cinco átomos de carbono e quatro de oxigênio, enquanto que no segundo observamos apenas quatro átomos de carbono e dois de oxigênio. Não é difícil perceber que o processo pelo qual o ácido ibotênico é convertido em muscimol é aquele que acabamos de descrever: perda de CO2. A maneira mais rápida e eficiente de se provocar esta reação é picar os cogumelos (inclusive o píleo, que não é descartável) de modo a aumentar a superfície de contato, colocar os pedaços numa bandeja e “tampá-la” com papel alumínio e levá-la ao forno pré-aquecido a 115ºC por volta de 50min. Uma outra opção é embalar os pedaços em papel alumínio e fazer o mesmo procedimento. Nesse caso, certifique-se de que a parte brilhante esteja para dentro e a fosca para fora. Isso evitará que os seus cogumelos (e você) sofram contaminação por alumínio, que é altamente tóxico. O ponto de fusão do ácido ibotênico é de 152ºC e o do muscimol é de 185ºC.

Trituração e extração: a grande maioria dos tutoriais sobre o assunto recomendará macerar os cogumelos num pilão ou triturá-los com um liquidificador ou equipamento semelhante e ferver o cogumelo triturado. A trituração serve para aumentar a superfície de contato, acelerando a ação do calor sobre eventuais resíduos de ácido ibotênico ainda não descarboxilado e facilitando a dissolução do muscimol na água. A extração em água acelera o processo de absorção do muscimol pelo organismo. Triturados os pedaços, deixe os cogumelos ferverem em fogo baixo por 30 ou 40 minutos, apague o fogo mas deixe os cogumelos na água quente por mais vinte minutos ou meia hora. Pode-se consumir os resíduos sólidos para evitar desperdiçar parte do princípio ativo que talvez não tenha sido extraído pelo fervimento. O gosto do chá não é agradável para a maioria das pessoas, de modo que você pode preferir ter alguma fruta ou mel para acompanhar.

Mais informações e formas alternativas de preparo podem ser encontradas em: https://teonanacatl.org/threads/prepara%C3%A7%C3%A3o-de-amanita-muscaria.713/

Urina: cerca de 80% do muscimol ingerido passa direto pelos rins e pode ser re-ingerido através da urina. O ácido ibotênico também é descarboxilado nos rins, sendo descartado através da urina como muscimol. Grande parte dos usuários aproveitam-se deste e bebem a própria urina duas ou três para maximizar os efeitos (CHILTON & OTT, 1976: 154).

EFEITOS

Tempo de absorção: após a ingestão, podem passar até três horas antes que os primeiros efeitos comecem a ser notados. Recomenda-se tomar apenas metade da dose preparada e esperar entre 2 e 3 horas. Não surgindo nenhum efeito, toma-se a outra metade. A efetividade e o tempo dependem basicamente da potência dos cogumelos consumidos, que pode ser muito variável. Por isso, recomenda-se começar com doses realmente baixas nas primeiras vezes para evitar possíveis transtornos e imprevistos.

Efeitos clássicos: entre os efeitos mais comuns registrados na literatura médica estão: náusea, retenção intestinal, perda de equilíbrio, depressão motora, espasmos musculares, ataxia, salivação, lacrimejamento, alterações da percepção auditiva e visual, flutuações de humor e sonolência (CHILTON, 1975: 18).

Sonho lúcido: grande parte dos usuários relatam experiências de indiferenciação entre o estado de sono e o de vigília. Normalmente a pessoa sob efeito sucumbe ao sono e tem sonhos mais vívidos e mais conscientes (e mais psicodélicos) do que o normal. É comum haver um estado de euforia nas primeiras horas em que os princípios ativos começam a fazer efeito e depois disso uma sonolência muito forte. Alguns consideram que a parte principal da experiência proporcionada pelo Amanita muscaria se dá justamente durante o sono. Dores de cabeça ao acordar são normais, apenas reidrate-se.

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Duração: uma viagem normal com Amanitas pode durar de 5 a 8 horas dependendo da dose, com um pico de cerca de 2 horas. Doses mais altas tendem a durar mais tempo, podendo ultrapassar as 10 horas. É normal observar efeitos residuais depois que a trip tiver acabado. Estes efeitos podem se prolongar por um período que pode variar entre 1 e 5 horas.

REDUÇÃO DE DANOS

Listamos aqui algumas dicas e truques para que você possa maximizar a obtenção dos resultados que almeja ao utilizar a substância, bem como minimizar os riscos, efeitos colaterais e quaisquer forma de malefícios que podem ser ocasionados pelo uso irresponsável ou desinformado. Nenhum dos tópicos a seguir é obrigatório. São mais como recomendações e diretrizes a seguir para guiar a sua viagem, principalmente nas primeiras vezes. A medida que for acumulando conhecimento e experiencia sobre a droga, você terá também maior autonomia para testar os limites destes conselhos e quem sabe elaborar os seus próprios. De qualquer forma, é uma boa maneira de começar.

Sempre descarboxile! Isso protegerá o seu cérebro de uma neurotoxina invasiva e danosa, além de aumentar em até 5 vezes a potência psicoativa dos cogumelos.

Dosagem: sempre que for experimentar uma substância psicoativa pela primeira vez, comece com as doses mais baixas possíveis. É sempre melhor experimentar uma ou duas vezes sem efeito nenhum do que tomar doses mais altas e acabar provocando algum acidente ou gerando algum trauma. Se não conhece a droga, vá com calma.

É sempre difícil estabelecer dosagens quando se trata de psicodélicos. A experiência é muito pessoal e depende de fatores (peso da pessoa, tamanho dos cogumelos, quantidade de diferentes princípios ativos, set and setting e por aí vai) numerosos de mais para que seja possível fazer uma escala universalmente aplicável. Abaixo listaremos dosagens comuns, mas sem nenhum respaldo científico, obtidas apenas através de experiências pessoas dos próprios usuários, tendo como base o peso em gramas do cogumelo desidratado (aproximadamente 10x menor que o do cogumelo fresco) e retiradas do site https://erowid.org/plants/amanitas/amanitas_dose.shtml.

IMPORTANTE: cogumelos colhidos no finalzinho do inverno e início do verão podem ter uma concentração até 10x maior de ácido ibotênico e muscimol em relação aos colhidos no início do inverno.

 

Dose Letal: em toxicologia, a Dose Letal Mediana (DL50) é a quantidade necessária para matar 50% de uma população com uma determinada droga, normalmente medida em miligramas de substância divididas pelo peso corporal médio dos indivíduos (em quilogramas). A DL50 é usada para auferir a toxicidade de uma determinada substância determinando níveis seguros para o seu consumo. Quanto maior a DL50, mais segura é a substância (BEERS & BERKOW, 2000: 2561-62).

A DL50 do muscimol, obtida a partir de testes feitos em ratos, é 45mg/kg. Sua concentração é de 0,05%.

A DL50 do ácido ibotênico é de 129mg/kg e sua concentração é de 0,08 a 0,1%. Estas porcentagens foram obtidas considerando o peso de um cogumelo médio fresco, ou seja: 60-70g e 10-15cm.

Trip-sitter: como acontece com a dosagem, este conselho vale sempre para qualquer pessoa e com qualquer substância psicoativa: se for a primeira vez ou se por algum motivo você estiver sentindo qualquer insegurança, tenha sempre alguém que você confie por perto pra te ajudar. De preferência alguém que já tenha experimentado a substância em questão ou que pelo menos que tenha alguma familiaridade com o uso de psicodélicos. Essa é uma precaução comumente negligenciada, mas que pode evitar que você se machuque seriamente (talvez até sem perceber) ou transforme sua viagem num verdadeiro inferno pra você mesmo e/ou para os outros. Lembre-se de que você estará com a sua consciência alterada e que não perceberá perigos, leis naturais e normas sociais da mesma forma como os percebe no seu dia a dia. Tenha sempre uma pessoa que te conheça, que você goste e confie, para te ajudar a passar por momentos eventualmente difíceis ou mesmo para compartilhar um bom momento.

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Set and setting (ambientação): a ambientação é um dos aspectos mais cruciais de qualquer experiência psicodélica. Ela compreende tanto o espaço físico onde a experiência se dá quanto o “ambiente” mental da pessoa que passa pela experiência. Tente escolher um local confortável, familiar e seguro para a sua viagem. É de extrema importância que você se sinta à vontade e não corra o risco de expor a sua privacidade ou de que algum estranho te aborde de forma violenta. Prefira ambientes privados, longe de vidros e fogo. Evite ao máximo consumir substâncias psicoativas em público. NUNCA misture NENHUMA substância psicoativa com remédios psicotrópicos se você não PERFEITAMENTE TODAS implicações fisiológicas de ambos e como as substâncias interagem. Evite misturar drogas de forma geral, principalmente drogas de composição e proveniência desconhecida como NBOME, LSD, cocaína e êcstase (MDMA). O amanita é famoso por potencializar estados emocionais já presentes, característica comum a outras substâncias consideradas enteógenas, como a psilocibina e o DMT. Escolha um momento em que você não esteja muito preocupado ou angustiado com assuntos urgentes ou difíceis e tire um dia inteiro pra curtir a sua experiência. Lembre-se que uma vez dentro do seu organismo, não há como botar a substância pra fora. Lembre-se que você está sob efeito de uma droga e que a sua experiência será definida pelos produtos da sua própria imaginação. Sempre tenha alguém com quem contar pra te ajudar no caso de qualquer emergência.

Emergência: existem organismos mais suscetíveis pessoas que se desesperam com mais facilidade e pessoas que exageram na dose. Não importa o motivo. Se você acha que está correndo perigo, NÃO EXITE EM PROCURAR UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA. Doses muito altas dos princípios ativos presentes no Amanita podem desencadear reações similares a uma síndrome anticolinérgica (a mesma provocada pela ingestão da temida Datura stramonium). Queda na temperatura, pressão baixa, boca seca, rosto pálido, suor excessivo. Se você perceber estes sintomas se agravando corra para o hospital ou chame ou SAMU. Os estados do Sul do Brasil em geral já possuem um protocolo específico para o atendimento de pacientes que chegam na emergência apresentando estes sintomas. NUNCA MINTA PARA UM AGENTE DE SAÚDE SOBRE A DROGA QUE VOCÊ USOU. É sério. Você pode entrar lá não tendo nada grave e acabar piorando a sua situação. Eles estão lá pra te ajudar. Diga tudo pra eles: a dose que tomou, quando tomou, se tomou alguma coisa junto. Não tenha medo de parecer idiota, a sua saúde é muito mais importante do que o seu orgulho. Tenha sempre alguém por perto pra te ajudar. Pode ser que você esteja apenas desesperado, mas como é que você vai saber se você tá drogado? Estude e encontre alguém bem informado pra te acompanhar.

IMPORTANTE: nunca tente induzir o vômito depois de ter começado a sentir os efeitos. O reflexo faríngeo (responsável pelo vômito) é ativado pela estimulação do nervo vago, o que pode causar provocar uma queda abrupta da pressão arterial e rápida desaceleração dos batimentos cardíacos o que levará ao desmaio (síncope vasovagal). A excitação do nervo vago combinada a condições neurológicas atípicas como é o caso da intoxicação por muscimol pode provocar convulsões e agravar o quadro de intoxicação do qual você está tentando sair. O mais indicado nestes casos é mesmo a lavagem intestinal e a aplicação dos medicamentos corretos, o que só poderá ser feito num hospital.

Download do texto em formato PDF: Tudo que voce precisa saber sobre amanitas

INDICAÇÕES DE LEITURA

Amanita Muscaria – Amanita sp

http://mcortezvaz.wixsite.com/amanitamuscaria

http://www.lycaeum.org/diseyes/fresh/amanmr.htm

REFERÊNCIAS

BEERS, Mark H. & BERKOW, Robert (editores). Manual Merck: diagnóstico e tratamento. Roca: São Paulo, 2000.

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CHILTON, W. S. &. OTT, Jonathan. Toxic metabolites of Amanita pantherina, A. cothurnata, A. muscaria and other Amanita species. Lloydia, 39(2-3), Mar-Jun, 1976. pp.150-157.

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________. Brève revue d’ensemble sur la chimie de la muscarine. Revue de Mycologie, 24(5), 1959.pp. 369-385.

FESTI, Francesco. & BIANCHI, Antonio. Amanita muscaria: mycopharmacological outline and personal experiences. Psychedelic Monographs and Essays (vol. 5), 1993. pp. 209-250.

HOMRICH, M. H. Nota sobre Amanita muscaria (L. ex Fr.) Pers. ex Hooker. no planalto Riograndense. Sellowia, 17, 1965. pp. 77-78.

MICHELOT, D & MENDELEZ-HOWEL, L. M. Amanita muscaria: chemestry, biology, toxicology, and ethnomycology. The British Mycological Society, 107(2). United Kingdom: Feb 2003. pp. 131-146.

MOREIRA, Fátima M. S. & SIQUEIRA, José O. Microbiologia e bioquímica do solo. Ed. UFLA: Lavras, 2006.

OLPE, H. R. & KOELLA, W. P. The action of muscimol on neurones of the substantia nigra of the rat. Experientia, 34(2): Feb 15 1978. pp. 235.

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RICK, J. Pilze aus Rio Grande do Sul. Brotéria Série Botânica, 5: 1906. pp. 5-53

SÃO PAULO. “Toxinas dos cogumelos” In: Manual das doenças transmitidas por alimentos. Centro de Vigilância Epidemiológica – CVE, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

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WARTCHOW, Felipe. Revisão de Amanita (Amanitaceae, Basidiomycota) no Brasil. Tese de doutorado, UFPE: Recife, 2012.

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